Month: July 2018

Agronegócio já tem perda estimada em R$10 bilhões desde o tabelamento de fretes

A CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil) indica uma perda de R$500 milhões por dia devido ao tabelamento de fretes. A estimativa do valor negativo acumulado chegaria em R$10 bilhões desde a data em que a tabela começou a ser aplicada. Tal indicação seria de valores relacionados apenas com os mercados do milho e soja, e refere-se apenas a 20 dias da vigência.

Conforme cálculos projetados e indicados pela CNA em audiência conciliatória, promovida pelo ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), relacionada à ação de demanda que discute a constitucionalidade, ou não, da medida, os prejuízos somados já em um primeiro momento, estariam causando danos significativos na economia.

O chefe da assessoria jurídica da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, Rudy Ferraz, afirmou que o caso trata-se de um problema “emergencial”, pois meio bilhão de reais diários em perdas não é “qualquer coisa”, e acrescentou mais ainda, afirmando que em pleno período de safra, metade da produção agrícola do país estaria parada.

Os levantamentos feitos pela CNA ainda indicam que o grave problema atinge também outros produtos, como o arroz, que tem metade do produto “afunilado” nos portos, e também o café, produto que teve o custo do transporte “dobrado”, causando dificuldades para que ele seja levado até as torrefadoras. A consequência disso é a geração de atrasos na produção e exportadores tendo que arcar com custos a mais no transporte.

Na ponta, o problema já é sentido pelos consumidores. No varejo, o leite já apresenta 50% de aumento, ao mesmo tempo em que o feijão tem uma alta de 15% e o arroz, em torno de 10%, segundo fonte da própria confederação.

Os problemas vão além dos relacionados aos produtos indicados, pois navios com fertilizantes estão parados nos portos, a carne apresenta alta de 63% no custo do transporte, e a ração deve aumentar em torno de 83%.

Além dos problemas que estão sendo sentidos neste mês de junho, a perspectiva é que outros venham a surgir, afetando inclusive a imagem do país na exportação de alimentos, pois mercados com níveis de exigência em qualidade e pontualidade poderão se retrair com notícias sobre o quadro atual.