Desfiles parisienses: Donata Meirelles aborda o caráter apoteótico desses eventos

Se no Brasil o Carnaval é um dos eventos que mais prendem a atenção do público, na França e em outros países os desfiles de moda têm sido considerados verdadeiros espetáculos. Vale destacar que aqueles que ocorrem na capital francesa são os mais vistos, assinala a empreendedora de moda Donata Meirelles. Somente no primeiro trimestre de 2019, as passarelas parisienses foram palco da estreia de estilistas promissores. Além disso, grifes como Tommy Hilfiger investiram em estrelas para abrilhantar suas apresentações, além de produções que relembravam o ambiente cinematográfico, destaca a empreendedora.

Como já era esperado, a Tommy Hilfiger também prestou sua homenagem ao lendário estilista da Chanel, Karl Lagerfeld, em virtude de seu falecimento ocorrido no mês de fevereiro. A grife também explorou pontos turísticos famosos de Paris. A Torre Eiffel, por exemplo, recebeu passarelas por onde modelos desfilaram as últimas novidades da marca. O mesmo também foi feito em relação ao Museu do Louvre.

Já o Grand Palais foi decorado de modo a remontar a uma estação dos Alpes Suíços voltada à prática de esqui. A escolha desse cenário teve uma razão bastante simbólica na homenagem prestada a Lagerfeld, uma vez que ele sempre expressava gostar muito da Suíça, sobretudo por poder esquiar. A marca também fez um minuto de silêncio e finalizou a homenagem colocando um áudio contendo a voz daquele que por décadas foi o líder da Chanel.

Mesmo se tratando de uma homenagem póstuma, a apresentação foi destaque em virtude do tratamento dado à organização, pontua Donata Meirelles. Apesar de relembrar a trajetória de Lagerfeld ter sido algo já esperado pelo público, a surpresa ficou por conta da qualidade do que foi apresentado nos momentos de exibição que antecederam o início do desfile da marca. Um dos desafios da grife, além das questões técnicas, foi realizar uma homenagem da forma como o estilista gostaria, pois era conhecido pelo estilo que dispensava sentimentalismo.

Mais do que uma homenagem a alguém que foi um ícone da moda, a apresentação ilustra a maneira como os desfiles tem concebido tudo o que é apresentado pelas grifes, transcendendo até mesmo as roupas que são mostradas. A empresária brasileira esclarece que trata-se de uma tendência que pode ser conferida, sobretudo entre as marcas que são classificadas como de alta costura. Ainda que esses desfiles tenham despertado desde sempre a atenção de muitas pessoas, com o passar dos anos o público começou a se interessar também pelo aspecto considerado apoteótico desses eventos.

Se na Tommy Hilfiger Lagerfeld recebeu uma grande homenagem, na maison Chanel não foi diferente, podendo-se ver igual brilho nas produções. Conhecido como “Kaiser”, palavra que significa “imperador”, ele foi homenageado com peças inspiradas em suas criações mais emblemáticas, tais como conjuntos tweed em xadrez e roupas em tecidos coloridos, típicos das coleções assinadas por ele na década de 1980. No final do desfile, vestidos brancos fluidos foram desfilados. Donata Meirelles menciona que houve um momento em que a atriz Penélope Cruz também desfilou, ilustrando bem a nova forma que as grifes têm de conduzir seus desfiles: dando aspecto de show a esses eventos.

Penélope Cruz emocionou o público presente ao finalizar o desfile ao caminhar com uma flor branca nas mãos, da mesma forma como o homenageado fez por anos em que esteve à frente da marca. Além da atriz hollywoodiana, a trilha sonora com a canção “Heroes” do astro David Bowie também gerou comoveu a plateia. Enquanto a música tocava, todas as modelos da grife desfilaram simultaneamente, reporta a empreendedora. Embora a emoção dos convidados fosse previsível, a empresária destaca que a maneira como a produção do desfile foi feita pode ter grande influência sobre a reação das pessoas presentes. Mais do que um desfile de peças que lembravam Lagerfeld, o evento conseguiu criar uma atmosfera de sinestesia que envolveu os convidados.

A Tommy Hilfiger é uma das marcas pioneiras em se tratando da adoção do desfile de moda como espetáculo, noticia a empresária. A grife, contudo, não se limita a apresentar grandes eventos na Cidade Luz. Outros desfiles de grande porte foram realizados em Nova York, Shangai e Milão. Em Paris, já em 2019, a marca trouxe Grace Jones, uma das representantes mais emblemáticas dos anos 1.980. A cantora e modelo se apresentou para uma plateia composta por 1.900 convidados, cantando suas músicas de maior sucesso ao longo do evento.

A diversidade também marcou o último desfile da grife realizado em Paris. Modelos com biótipos variados desfilaram as peças da coleção. Se os tipos físicos eram variados, as etnias também o eram, explica a empresária. Assim sendo, o brilho do desfile foi ainda maior do que nos outros anos. A Yves Saint Laurent surpreendeu pelo fato de promover um desfile com as luzes apagadas, onde somente se podia ver as peças em cores néon passando pelas passarelas do local.